InícioInício  CalendárioCalendário  FAQFAQ  BuscarBuscar  MembrosMembros  GruposGrupos  Registrar-seRegistrar-se  Conectar-seConectar-se  

Compartilhe | 
 

 A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário

Ir em baixo 
AutorMensagem
Padre Judas
MODERADOR
avatar

Mensagens : 142

MensagemAssunto: A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário   Dom Ago 26, 2018 4:07 pm

A Reconquista de Zhaoyang



Distante cerca de mil quilômetros a sudeste de Tamu-ra, a Ilha de Zhaoyang, também chamada Sul Florido, foi durante séculos um reino independente com sua própria língua (similar, mas diferente, do ningo) e costumes. Possuíam um rei – não um shogun, mas um legítimo monarca referido como Tiānzi (“Filho dos Céus”), do Clã Zhao. Embora houvesse diferenças entre cada geração no geral o governo era bom e honrado.

Mas, duzentos anos antes da chegada da Tormenta, uma grave fome assolou a ilha. Chuvas escassearam, peixes desapareciam do mar e os nezumi que viviam nas montanhas desciam para a costa em grandes bandos de ataque. Shinkan afirmavam que o rei havia ofendido os espíritos e incitavam o povo à rebelião. Nisto um oficial chamado San Taizi realizou um ousado golpe de estado e derrubou a família real, matando todos os seus membros e afirmando ao povo que “restauraria a ordem cósmica”.

Mas isto não ocorreu. Os anos seguintes viram o aumento das tragédias combinado com o autoritarismo exacerbado do pretenso Tiānzi – um homem que nem mesmo foi reconhecido pelos espíritos em uma cerimônia apropriada. Isto resultou em uma guerra civil sem precedentes.
Atendendo a apelos da facção rebelde e ciente do sofrimento do povo de Zhaoyang, o Imperador Tekametsu decidiu intervir. Até então ele não havia feito movimentos para anexar a ilha, pois reconhecia a família real como legítima representante dos deuses. Mas com o desaparecimento da extinta dinastia era chegado o momento. Uma frota tamuraniana desembarcou no oeste da ilha, aliou-se aos rebeldes e derrotou o tirano. Bai Fuxi, um ronin ryuujin, outrora a serviço do falecido rei e que liderava os revoltosos, foi escolhido como daimyo após ser formalmente reconhecido pelos espíritos e jurou vassalagem perpétua ao Imperador de Tamu-ra. Foi o fim da Guerra de Zhaoyang.

A ilha entrou em uma era dourada de paz e prosperidade como nunca viu antes desde a Era Lendária. O primeiro daimyo forjou acordos razoáveis com os nezumi e estabeleceu relações sólidas com as três tribos de kappa que viviam na região das Terras de Yu Shi, até então isolacionistas e pouco afeitas ao contato com outros povos. Para facilitar a administração do território criou domínios menores e indicou indivíduos chamados Guardiões, um cargo vitalício e não hereditário. Os domínios mudariam ao longo do tempo, aumentando ou diminuindo de tamanho conforme a necessidade, mas o sistema foi preservado. Assim, Fuxi e seus sucessores souberam governar melhor do que os Zhao haviam feito e houve progresso.

Então veio a Tormenta.

Quando a tempestade rubra atacou Tamu-ra os shinkan foram informados imediatamente pelos espíritos. Bai Niulang, Daimyo de Zhaoyang e Guardião do Centro, percebeu que aquele inimigo era poderoso demais para ser derrotado e organizou a fuga com máxima presteza. Milhares de pessoas não poderiam ser salvas, mas centenas puderam ser levadas ao Passo de Hung Shing e transportadas para o Reinado. As pessoas ainda estavam cruzando o portal quando as gotas ácidas começaram a cair e os primeiros lefeu apareceram. Os Cinco Guardiões permaneceram para trás, dando sua vida para garantir que o máximo de pessoas pudesse partir – e em seguida selar a passagem com rochas e magia. Por seu sacrifício foram chamados Augustos Guardiões. Outros também ficaram e hoje são lembrados como Os Oitenta e Oito Santos, dado que suas identidades não são completamente conhecidas (o número de heróis caídos é muito maior do que isso, “oitenta e oito” é uma referência local a “muita coisa”). Teriam ficado mais, mas foram ordenados a proteger Long, a herdeira da Casa Bai, então uma criança.

Ao chegar ao Reinado, o povo de Zhaoyang optou por não ir morar em Ni-tamura. Ao invés disso construiu para si uma pequena vila às margens do Rio Nerull, alguns quilômetros ao sul de Selentine. Chamaram-na Vila Bai.

Este foi o fim para Zhaoyang. Pelo menos era isso que se acreditava até a Tormenta ser expulsa pelo Hikari no Kishi e o Sul Florido se tornar novamente habitável. Seis anos se passaram e é o momento de reconquistar Zhaoyang.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Padre Judas
MODERADOR
avatar

Mensagens : 142

MensagemAssunto: Re: A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário   Dom Ago 26, 2018 4:08 pm

Religião

Zhaoyang nunca cultuou Lin-Wu ou a Família Celestial. Eles eram conhecidos, sim, mas eram vistos como forças da natureza – distantes dos assuntos mortais. Para o povo daquela terra, muito mais próximos eram os kami que viviam nos elementos naturais e os ancestrais, as almas daqueles que já partiram. Assim eles cultuam o Bushintau e seus sacerdotes mais respeitados são os shinkan que tanto relacionam-se com os espíritos naturais como com as almas dos mortos.

Além do shinkan outra figura muito valorizada e respeitada é a miko, uma sacerdotisa com poderes oraculares.

Os kappa praticavam sua própria Fé, o Culto ao Vazio. De hábitos monacais, este humanoides (diferentes de suas contrapartes do Império)  defendiam que tudo no mundo estava conectado pelo Vazio, uma força cósmica universal. Sua doutrina era por demais complexa para o povo comum e o fato de viverem isolados torna esta religião inexistente entre a maioria dos zhaoyanguinos.

Adicional às crenças religiosas os zhaoyanguinos acreditam em várias figuras lendárias conhecidas como Heróis. Embora não sejam divindades no sentido tradicional, com sacerdotes próprios e ritos organizados, estas figuras são relembradas pelo povo em histórias e festivais. A reverência a estas entidades é tão intensa que permitiria que efetivamente se tornassem divindades menores que os zhaoyanguinos podiam contatar em casos muito específicos. Todos estes heróis são egressos de uma época muito remota do qual há pouquíssimos registros e é impossível separar a verdade da ficção – a exceção são os Cinco Augustos Guardiões. Após seu sacrifício foram declarados Heróis e receberam sua própria cota de reverência. Ninguém sabe se isso lhes permitirá retornar de algum modo.

Por outro lado nada é sabido do destino dos Heróis após a queda de Zhaoyang. Alguns afirmam que foram destruídos e outros que permaneceram protegendo a ilha do mal.

Quando Tamu-ra anexou Zhaoyang foram erguidos os primeiros santuários permanentes dedicados a Lin-Wu e à Família Celestial. Os shugenja – como são chamados os sacerdotes destas duas religiões – se tornaram um pouco mais comuns, mas nunca foram dominantes. Ambos os credos permaneceram restritos à aristocracia e mesmo o daimyo dava mais valor aos conselhos dos shinkan e miko do que aos shugenja que mantinha mais para agradar ao Imperador.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Padre Judas
MODERADOR
avatar

Mensagens : 142

MensagemAssunto: Re: A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário   Dom Ago 26, 2018 4:09 pm

Geografia



Grosso termo Zhaoyang está dividida em seis regiões geográficas distintas. As informações abaixo levam em consideram como era a ilha antes da Tormenta – não se sabe como ela está agora.

Monte Zhao. Esta área compreende toda a porção costeira norte da ilha e ao seu lado foi erguida a capital, Huayuan (“Jardim”), assim batizada pelos lindíssimos jardins floridos que a compunham. É dito que foi no Monte que Zhao, o fundador da antiga linhagem que dá nome à ilha, nasceu como um espírito.

Xuanzang. Dizem as tradições que no princípio dos tempos os zhaoyanguinos eram espíritos que viviam em plena harmonia com a natureza até que Zhao, O Grande, empreendeu uma grande busca que o levou a encontrar cada um dos membros da Família Celestial e destes receber uma dádiva até chegar ao próprio Lin-Wu que, como recompensa, deu-lhe carne, sangue e ossos. Alguns shinkan acreditam que foi uma punição, mas a crença popular dita que foi uma benção, pois os mortais são aptos a alcançar realizações que um espírito, por si só, é incapaz. É dito que Zhao era perfeito, mas sentia-se só, de modo que compartilhou seus presentes com outros espíritos e assim surgiram os humanos que chamaram Zhao “Filho dos Céus” e se submeteram. Mas um espírito chamado Xuanzang arrependeu-se de ter recebido o presente e anos depois veio a esta região – então uma planície e colinas nuas. Ao meditar por oito anos seu corpo tornou-se uma grande árvore cujas raízes espalharam-se por toda a porção norte. Xuanzang, a “Floresta de Uma Só Árvore”, é um antigo local sagrado para os shinkan que aqui vem para meditar e serem instruídos pelo que consideram o fundador de sua tradição, o primeiro humano a comungar com os espíritos e reatar a conexão que havia entre a raça e o mundo espiritual.

Montanhas Wuxian. Quando Zhao partiu do Monte Zhao para os Céus, ele escalou as Montanhas Wuxian. No caminho enfrentou uma raça de demônios-rato violentos chamados Nezumi. Quando retornou, já com carne, osso e sangue, ofereceu aos nezumi estes três presentes na esperança de que isso os apaziguasse. Eles permitiram sua passagem, mas não se tornaram seus amigos. Nos séculos posteriores as Wuxian permaneceriam sob o controle quase completo dos nezumi, exceto por algumas fortalezas e cidades limítrofes – principalmente Passo de Hung Shing.

Estas montanhas possuem picos muito altos, sempre cobertos por neves perpétuas. No verão parte desta neve derrete e faz os rios transbordarem – um elemento fundamental para a manutenção da agricultura na ilha. O pico mais alto das Wuxian é o Jìnrù Tiāntáng, a “Entrada para os Céus”, perpetuamente coberto por nuvens densas e nevascas regulares. Acredita-se que ali está a entrada para o Tiān, lar dos Grandes Kami (Lin-Wu e a Família Celestial).

Terras de Yu Shi. Neste enorme mangue vivem – ou viviam – três tribos de kappa: os Juncos Amarelos, os Águas Negras e os Filhos do Mar. Durante muito tempo viveram isolados dos outros povos da ilha até que o tirano San Taizi tentou conquistar suas terras e submetê-los, o que os fez se aliarem a Fuxi. Esta aliança temporária evoluiu para acordos permanentes que duraram até a chegada da Tormenta. Membros das três tribos estavam entre os escolhidos para escapar e é sabido que muitos dos Oitenta e Oito Santos eram das tribos, o que faz sobreviventes e descendentes muito respeitados pelos zhaoyanguinos.

Campos de Wugu. Dizem as lendas de Zhaoyang que pouco após a fundação de Huayuan um ogro chamado Yandi declarou guerra a Zhao. Ele roubou a água do território dos homens, impondo-lhes uma grave seca.

Shennong, filho de Zhao, prometeu ao pai que encontraria uma solução e seguindo a inspiração de uma miko seguiu para o sul, mas foi confrontado pelos nezumi quando cruzava as Montanhas Wuxian. Tendo que desviar para oeste acabou por perder-se nas terras de Yu Shi, onde enfrentou a morte. Mas Yu Shi, o Rei Lagarto, ajudou Shennong em sua jornada e conduziu-o às terras alagadas do sul – que os kappa chamavam Wugu. Ali Shennong introduziu o cultivo de cereais, principalmente o arroz. Posteriormente os zhaoyanguinos colonizaram a região, erguendo vários vilarejos na área. Wugu é cortado por inúmeros rios menores que na época das cheias (o verão) inundam o território e por isso as casas aqui eram erguidas sobre palafitas e conectadas por pequenas pontes de madeira e corda.

Ilha Banquan. Esta ilha menor a noroeste do Monte Zhao é o lar dos ogros, a única tribo nativa de Zhaoyang. Segundo as lendas o Rei Yandi conduziu seu povo – uma raça mais civilizada que seus pares de outros lugares – expulso de suas terras natais em Tamu-ra. Depois de muitos dias de viagem encontraram Banquan e a ocuparam. Após uma expedição à ilha maior, Yandi retornou e fez planos para ocupá-la. Entretanto, quando os primeiros navios vieram encontraram os humanos erguendo sua própria cidade. Houve conflito e Yandi retirou a água para matar os humanos de sede ou forçá-los à submissão. Os ogros foram derrotados graças a uma aliança entre humanos e kappa e Yandi foi morto por Zhao em combate singular à beira-mar. Os ogros sobreviventes juraram obediência e, em troca, Zhao permitiu que continuassem a viver em Banquan. A despeito da derrota, eram orgulhosos e honrados. Quando veio a Tormenta a esmagadora maioria deles optou por não fugir, permanecendo em desafio à ameaça. Não se sabe seu destino, mas eles são conhecidos como os Oito Mil Fiéis pelos ogros que escaparam – e enquanto os kappa são reconhecidos por sua bravura, os ogros atuais frequentemente se envergonham de terem sobrevivido e sentem-se inclinados a provar sua Honra todo o tempo. Não à toa estão entre os maiores entusiastas da Reconquista.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Padre Judas
MODERADOR
avatar

Mensagens : 142

MensagemAssunto: Re: A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário   Dom Ago 26, 2018 4:09 pm

Figuras Lendárias

O povo de Zhaoyang possui muitas histórias sobre indivíduos impressionantes de seu passado. Não se pode afirmar com certeza se são pessoas reais ou apenas figuras folclóricas, mas eles fazem parte da cultura e dos costumes locais, relembrados em contos e festivais. Abaixo estão alguns deles.

Zhao, O Filho dos Céus. Zhao era um espírito que vivia em uma enorme montanha solitária na costa norte da ilha. Um dia cansou-se das limitações de sua condição e partiu para o sul, escalando as Montanhas Wuxian. Ali lutou contra os nezumi, mas conseguiu terminar sua jornada chegando ao topo do pico de Jìnrù Tiāntáng, a “Entrada para os Céus”. Enfrentando as nevascas encontrou o lar dos deuses, Tiān. Passou por cada casa divina e foi recebido por cada divindade. Ao retornar possuía muitos poderes, incluindo carne, sangue e ossos. Concedeu parte de suas dádivas ao Rei dos Ratos, Zu Bajie, que permitiu a ele passar sem ser importunado, e retornou a seu lar onde transmitiu seus conhecimentos aos outros espíritos. Assim surgiram os humanos da ilha de Zhaoyang, que se consideram uma raça em separado dos humanos de outros lugares (incluindo Tamu-ra). Zhao governou seu povo por cem anos, mas então sua esposa caiu vítima da doença e da velhice, uma maldição lançada por Nü Gui. Antes de ela morrer o Tiānzi a pôs nos braços, entregou o governo a seu filho Shennong e partiu de volta para Wuxian. Acredita-se que foi viver com sua mulher junto aos deuses. Não se sabe o quão verdadeira é esta história, mas desde então para que um novo Tiānzi fosse entronado era preciso que os shinkan invocassem Zhao para que este reconhecesse o novo governante. Esta tradição foi interrompida com San Tanzi – ao que se conta Zhao não teria comparecido à cerimônia, vetando-lhe o direito ao trono. Isto não o impediu de tentar se fazer reconhecer pela força, claro.

O Festival de Zhao é comemorado no ano novo, dura uma semana e marca o dia onde ele teria distribuído o presente dos deuses ao seu povo.

Xuanzang. Xuanzang era outro espírito do Monte Zhao. Quando Zhao trouxe carne, ossos e sangue para os espíritos, ele os aceitou como todos os outros. Mas os anos passaram e os humanos buscavam ativamente afastar-se de suas origens. Ergueram uma grande cidade e subjugavam a natureza com campos de cultivo e lançando barcos ao mar para pescar. Xuanzang não estava satisfeito. Ele acreditava que os homens não deviam descuidar do que realmente eram – eles não eram carne, ossos e sangue, mas sim espíritos que utilizavam tais coisas assim como o corpo utiliza roupas. Buscou refazer o contato com o mundo espiritual visitando as terras ao sul – então uma vasta pradaria com rios, pequenos lagos e colinas nuas. Ali, aos pés das Wuxian, haviam muitos espíritos e Xuanzang forjou laços com eles. Alguns dos filhos dos ex-espíritos, nascidos já com um corpo, desejaram esta conexão e foram ter com ele para que os instruísse. Assim surgiu a tradição dos shinkan. Quando já era bem idoso e tinha mais de cem anos de idade, Xuanzang entrou em uma gruta e ali meditou por oito anos. Seu corpo tornou-se uma grande árvore que espalhou-se pela área, estendendo suas raízes e galhos. Hoje toda a região – que recebeu seu nome – é coberta por uma única árvore com milhares de raízes, troncos e galhos que formam uma grossa cobertura vegetal. No local onde o primeiro shinkan meditou há o maior dos troncos, tão grande quanto um castelo. Os shinkan gostam de vir aqui para meditar e tentar contatar Xuanzang e os mais velhos vem para realizar o mesmo procedimento de seu fundador, tornando-se unidos ao espírito-árvore. Quem vaga por aqui pode encontrar pequenos nichos com os restos mortais destes sábios.

O Festival de Xuanzang é comemorado no equinócio da Primavera e dura oito dias. O povo festeja nas ruas enquanto os shinkan vão à Floresta de Uma Só Árvore para meditar.

Fu Hao. Fundadora da Escola Fu de artes marciais (focada no combate com lança), a esposa de Zhao liderou várias batalhas contra Yandi e também contra os nezumi. Os humanos dizem que Zu Bajie, o lendário Rei dos Nezumi, tentou tomar Fu Hao como sua mulher, mas ela o venceu em um desafio de charadas, deu-lhe uma surra com sua lança quando o homem-rato quebrou sua palavra e o tomou como refém até retornar ao seu reino, quando o libertou – cumprindo com seu próprio juramento. Os próprios nezumi consideram a história ofensiva e dizem que nunca um nezumi teria interesse por uma humana – eles não reconhecem a anedota como verdadeira. Dizem ainda os humanos que Bajie teria buscado a ajuda de Nü Gui, uma bruxa-demônio de grande poder que vive nas Wuxian. O demônio amaldiçoou Fu Hao com a velhice e a doença. Vendo sua rainha definhar, os humanos tomaram para si parte do mal que a acometia, mas mesmo isto não pode salvá-la. Zhao então a tomou nos braços e levou-a para os Céus, deixando o governo para seu primogênito Shennong.

Fu Hao é relembrada no início do Outono, em um festival que dura três dias e inclui malhar um boneco de Zu Bajie – mas ninguém ofende Nü Gui por medo de ser amaldiçoado.

Shennong. Este foi o primeiro humano a nascer do corpo de uma mulher, filho de Zhao e sua esposa, Fu Hao. Quando Yandi roubou a água dos humanos, Shennong tentou empreender uma viagem aos Céus para obter o apoio dos deuses, mas foi bloqueado pelos nezumi. Chegou quase morto ao mangue oriental onde foi ajudado por Yu Shi. Este lhe levou à Wugu, onde fundou uma colônia agrícola. Anos mais tarde Shennong sucederia a seu pai, se tornando o segundo Tiānzi.

Yu Shi. O Rei Lagarto é descrito pelas histórias dos humanos como um enorme lagarto-monitor, mas os kappa dizem que ele era um deles como qualquer outro. Yu Shi subiu ao Jìnrù Tiāntáng e ali meditou por oito anos – este feito é considerado altamente impressionante tendo em vista que os picos das montanhas são cobertos de neve, com temperaturas muito baixas e nevascas terríveis. Os anos lhe deram a percepção sobre o Vazio e ele retornou para transmitir seus ensinamentos. Para os kappa Yu Shi é recordado como um Grande Mestre que os salvou da barbárie e não um governante.

Para os humanos, entretanto, Yu Shi era o rei dos kappa e após ajudar o povo de Zhao contra Yandi o Rei Zhao transmitiu-lhe parte do conhecimento e sabedoria que adquiriu nos Céus e reconheceu o direito de autogoverno dos kappa em suas próprias terras. Os kappa não possuem festivais em honra de Yu Shi, mas estabelecem meditações próprias visando contatá-lo e aprender com ele – segundo suas tradições, Yu Shi ascendeu a uma condição superior. Já os humanos celebram Yu Shi no contexto da Festa da Água, comemorada no início do Verão quando o calor derrete as neves do alto das Wuxian e os rios de toda ilha enchem, irrigando os campos. Para os humanos este evento marca a derrota de Yandi e Yu Shi é um dos heróis relembrados e reverenciados.

Yandi. Segundo as histórias, o Rei de Banquan foi um líder tribal ogro que liderou seu povo em fuga da Ilha de Tamu-ra, de onde foram expulsos por uma tribo mais poderosa. Eles viajaram vários dias pelo mar até aportarem em Banquan. Yandi planejou levar a colônia para a ilha maior ao sul, mas quando os colonos chegaram encontraram os humanos e houve guerra. Como estratégia militar Yandi secou os rios, lagos e poços, além de impedir a chuva. O povo começou a padecer de sede e só foi salvo graças ao filho de Zhao, Shennong, e ao Rei Yu Shi. Yandi travou uma batalha singular contra Zhao e foi morto por este, mas antes de falecer pediu a seu inimigo que tivesse misericórdia por seu povo. Zhao submeteu os ogros, mas os tratou com justiça e permitiu que continuassem vivendo em Banquan. Posteriormente pequenas comunidades também foram fundadas em Zhaoyang.

Yandi é lembrado como um inimigo honrado, a despeito de ter tomado a água – entende-se que subtrair recursos ao oponente é uma estratégia legítima de batalha. Os ogros possuem muito carinho por sua memória e haviam pequenos altares dedicados a ele por toda Banquan. Os humanos relembram Yandi na Festa da Água, quando a guerra entre Zhaoyang e Banquan é reencenada tanto por atores kabuki quanto por teatro de marionetes. Os ogros possuíam seu próprio Festival de Yandi, comemorando a chegada à Banquan.

Zu Bajie. Os nezumi que vivem nas Montanhas Wuxian não formam uma nação unida, mas estão divididos em inúmeras tribos que passam mais tempo guerreando entre si do que lutando contra as outras raças. Entretanto, tanto humanos quanto kappa quanto os próprios nezumi se recordam de Zu Bajie.

Os humanos dizem que os nezumi eram demônios, espíritos incorpóreos que assolavam as Wuxian, até que Zhao ofereceu à Zu Bajie os presentes que recebeu dos deuses. O nezumi usou estes presentes para submeter os outros e permitiu a passagem de Zhao, mas eles nunca foram amigos.

Os próprios nezumi, é claro, dizem apenas que Bajie foi o maior nezumi que já existiu e o único com força, inteligência, astúcia e determinação suficientes para unir todas as tribos sob seu comando. Esta não é a única diferença entre as duas raças.

Zu ocupa uma posição muito diversificada na arte e cultura humana de Zhaoyang. Ele é descrito como um gigante “tão grande ou até maior que um ogro”. Em algumas histórias ele é retratado como um bárbaro sanguinário, mas em outras é um personagem cômico. Todas as versões concordam que ele possuía uma obsessão lasciva por Fu Hao e tentou várias vezes tê-la para si. O Rei dos Ratos aparece em vários festivais, normalmente como um “judas”, um boneco que é golpeado e queimado pelo povo.

Os nezumi, por sua vez, ficam furiosos quando humanos ofendem Zu. Para eles seu lendário rei é um modelo de conduta, um guerreiro poderoso e ousado que sempre esteve disposto a tudo pela vitória. Possuía sua própria guarda pessoal que também era seu harém, composto por dezenas das melhores guerreiras e shinkan dos nezumi, egressas de todas as tribos. Bajie teve centenas (alguns dizem milhares) de filhos e todo nezumi atual alega ser descendente dele – não à toa muitos deles costumam adotar o sobrenome “Zu” quando entre outros povos (os nezumi em si não usam sobrenomes). Ele é descrito como alto, mas não um gigante – os nezumi não possuem nenhuma obsessão por grande altura. Os nezumi recordam Bajie em festivais próprios, nos eventos onde tribos se encontram pacificamente e em rituais religiosos.

Nü Gui. Várias histórias falam em Nü Gui, Senhora das Doenças. Ela é descrita como uma velha magra de aspecto doentio e usando uma máscara para esconder sua face monstruosa – diz-se que quem olha para seu rosto envelhece e morre em menos de um minuto.

A despeito de ser tão temida, ela também é respeitada e alguns shinkan travam contato com ela em busca de cura para doenças aparentemente incuráveis. Segundo a tradição ela pode ser convencida a curar uma pessoa e até mesmo conceder juventude eterna – por um preço. Shugenja desprezam os shinkan que buscam pelos favores deste espírito e mesmo os próprios sacerdotes do Bushintau preferem ser discretos nestes contatos. Aparentemente ela não se importa.

Segundo os contos antigos, Nü Gui foi cooptada por Zu Bajie e amaldiçoou Fu Hao com a velhice, até então inexistente entre os humanos. Os outros humanos tentaram salvar sua rainha tomando parte de seu mal para si e foi deste modo que a velhice foi introduzida em uma raça até então dita “perfeita”.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Padre Judas
MODERADOR
avatar

Mensagens : 142

MensagemAssunto: Re: A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário   Dom Ago 26, 2018 4:10 pm

Os Cinco Augustos Guardiões

São os cinco heróis que deram suas vidas para atrasar a Tormenta e permitir que o máximo de pessoas pudesse escapar. Cerca de dois anos após a fuga os zhaoyanguinos começaram a relembrar os caídos na fuga (tanto os Augustos Guardiões quanto os Oitenta e Oito Santos e os Oito Mil Fiéis), assim como celebrar a própria terra natal.

Os Augustos Guardiões foram:

Bai Niulang. Guardião do Centro e daimyo anterior, pai da Senhora Bai, liderou os que ficaram para resistir. Um poderoso shugenja ryuujin.

Bai Zhinü. A esposa de Niulang, uma shinkan hanyô dotada de grandes poderes sobre a natureza. Segundo a tradição ela voltou a própria vida vegetal contra a Tormenta. Guardiã do Norte.

Sun Wukong. O Guardião do Oeste, um kensei vanara conhecido por seu temperamento curioso e apreço por combates.

Hung Shing. Dragão celestial que veio de Tamu-ra apoiar a rebelião e acabou ficando como um aliado da Dinastia Bai. Era o Guardião do Sul e criou o Passo de Hung Shing

Xi Wangmu. Discípula de Hung Shing, era uma ogra wu-jen que moveu o próprio solo contra a Tormenta. Havia sido recentemente empossada Guardiã do Leste.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Padre Judas
MODERADOR
avatar

Mensagens : 142

MensagemAssunto: Re: A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário   Dom Ago 26, 2018 4:10 pm

Personalidades

Bai Long



Ryuujin nascida na ilha de Zhaoyang, Bai Long cresceu para se tornar a daimyo de Zhaoyang. Isso não era estranho à cultura local, distinta da patriarcal Tamu-ra.

Como era comum em sua família, Bai Long foi abençoada por Lin-Wu, nascendo sob a influência do Deus Dragão como uma ryuujin. Desde jovem demonstrava sabedoria e inteligência ímpares. Tudo se encaminhava para mais uma grande governante em uma linhagem de três séculos de governo honorável dos Bai. Até que veio a Tormenta.

Quando Tamu-ra foi atacada pela tempestade rubra os shinkan que assessoravam o daimyo de Zhaoyang, Bai Niulang, rapidamente informaram o que os espíritos lhes contaram. O senhor rapidamente organizou uma fuga utilizando o Passo de Hung Shing, o maravilhoso portal criado pelo Guardião do Sul que permitia ir para qualquer lugar do mundo e retornar. Mas o daimyo sabia que não dava para salvar a todos, assim que somente alguns poucos puderam ser transladados – e sua filha foi com estes escolhidos. Colocada sob os cuidados de uma tia e protegida por dois dos membros do Kaminari Sentai, a guarda pessoal de elite do daimyo, a pequena Long de 8 anos viu os pais rumarem para a morte.

Os refugiados optaram por não viver em Ni-tamura – as diferenças culturais, embora não fossem notadas pelos gaijin, eram grandes demais para possibilitar um convívio harmonioso. A comunidade conseguiu uma porção de terra próxima ao Rio Nerull e ali fundou a Vila Bai.

Bai Long assumiu o comando de fato de sua gente aos doze anos – era então mais alta que a média das crianças, muito mais inteligente e sábia. Desde então tem governado a Vila, mas nunca deixou de sonhar com o regresso à terra natal. Por isso alegrou-se quando soube que um estrangeiro, Orion Drake, à frente de um exército de deuses, havia expulsado a tempestade rubra. Naquele mesmo ano organizou seu retorno ao Império de Jade, deixando sua tia no comando da Vila. Ao longo dos últimos cinco anos ela articulou junto ao governo local para conseguir recuperar seus domínios. Não apenas isso, mas também conseguiu obter financiadores (inclusive estrangeiros) e soldados para seguir com ela. Nem ela sabe o que esperar da ilha após tantos anos de destruição, mas ainda resta a esperança de reconstruir sua pátria.

Bai Long é uma mulher muito alta, com quase um metro e noventa. Veste-se com sobriedade, segundo os costumes da realeza zhaoyanguina, com roupas negras que contrastam com sua pele branca como a neve. Seus cabelos são prateados e seus olhos azuis. Embora tenha vinte e oito anos, parece mais jovem por conta de sua raça. Long é séria quase o tempo todo, raramente sorrindo – provavelmente resultado de ter que se “impor” na liderança tão jovem.

Lin Kai



Lin Kai é prima e serva pessoal de Bao Long, além de sua grande amiga. Elas cresceram juntas na Vila Bai e têm permanecido assim desde então. É uma jovem discreta cuja grande beleza e refinada inteligência empalidecem sob a sombra da daimyo. Entretanto quando atua como sua representante – algo comum, pois muitas vezes lida com os servos de escalão mais baixo, deixando sua senhora livre para lidar com assuntos mais importantes – ela muda totalmente de postura, se assemelhando muito mais à daimyo. Não à toa tem sua própria cota de admiradores.

Kai também é conhecida por suas habilidades artísticas, principalmente o domínio do samisém e do shigin (gênero musical que consiste em recitar poemas cantando, acompanhado ou não por instrumentos), além de kenshibu (estilo de dança que usa o auxílio de espadas ou leques e às vezes acompanha o shigin).

General Chi Ting



Henge ratel e oficial militar que comanda o exército de Bai Long, Chi Ting era a oficial de mais alta patente entre os samurais que foram ordenados a escoltar a filha de seu senhor em segurança até o Reinado e protege-la. Ela cumpriu a missão com zelo exemplar, mas nunca ignorou o fato de que deixou seu senhor e companheiros para trás. Já uma fêmea de idade mais avançada, Chi Ting espera poder reconquistar sua terra natal e empossar sua senhora – a menina que viu crescer – como sua legítima governante.
Voltar ao Topo Ir em baixo
Ver perfil do usuário
Conteúdo patrocinado




MensagemAssunto: Re: A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário   

Voltar ao Topo Ir em baixo
 
A Reconquista de Zhaoyang [IdJ]: Cenário
Voltar ao Topo 
Página 1 de 1
 Tópicos similares
-
» Cenário do jogo - Mapas e características
» Criando jogos em VB.NET - Cenário I
» Criando jogos em VB.NET - Cenário II Mapas em cache
» Detalhes do Cenário

Permissão deste fórum:Você não pode responder aos tópicos neste fórum
Fórum do Mamute :: PbF (Play by Fórum) :: Campanhas :: Judasverso :: A Reconquista de Zhaoyang-
Ir para: